Crítica | Romina (2018): chacina sem razão

Ficha técnica no IMDb

Um ataque chocante provoca uma reação violenta quando um grupo de adolescentes encontra uma garota da escola ao acampar em um local remoto.

Romina é praticamente um filme sem meio. Tem começo e tem final, mas meio não. O início trabalha o relacionamento de um grupo de amigos que está indo acampar. É interessante que o roteiro não faz todos os personagens serem babacas, algo razoavelmente recorrente no cinema de terror.

Os elogios ao roteiro terminam por aqui. A parte dos amigos no carro é insuportável. Ela é muito longa e tem falas genéricas emboladas. Eu estava assistindo dublado e tive a impressão de que orientaram os dubladores a falarem qualquer coisa. Depois ativei a legenda para conferir e o texto era similar.

A conversa que não chega a lugar algum combina com os personagens, já que eles não têm objetivo e mal são individualmente relevantes. A característica mais forte neles é o grau de babaquice. Esse início é o que tradicionalmente tenta fazer o espectador se importar com a trama, mas há um grande problema.

A abertura de Romina mostra a Romina em um interrogatório policial, como fazem WTF!, Pânico na Ilha e Carrie, a Estranha. Acho que em todos os filmes que utilizam esse recurso eu reclamei do efeito que ele gera: o espectador já ter uma noção clara do que vai acontecer.

Se um personagem sobreviveu e ele está sendo interrogado, provavelmente foi ele o causador da tragédia. Não satisfeito com essa redução do efeito surpresa, Romina mostra todas as vítimas em seguida. Assim o filme entrega quase tudo o que é relevante no enredo.

Como eu sei que aquele bando todo vai morrer, é difícil eu me importar com eles. Se o roteiro é ruim e os personagens são quase irrelevantes, o que resta para que o filme se torne uma boa experiência é a estrutura narrativa, ou seja, o que acontece e como acontece.

Nesse aspecto, Romina parece falhar até a chegada do plot twist. O grupo é composto por seis pessoas, quatro homens e duas mulheres. Todos conhecem a Romina e o Diego é amigo dela. O problema surge quando, à noite, o grupo sente que está sendo vigiado e faz uma patrulha na floresta.

O Ezequiel e o motorista do carro encontram a barraca da Romina. Ela sai, tira a camisa e volta. O único motivo para ela fazer aquilo seria seduzir ambos, mas quando eles entram na barraca ela parece recusar. O agravante é que ela sabia que eles tinham espiado ela nadar só de calcinha.

No dia seguinte, o grupo descobre que alguém colocou galhos no motor do carro deles e cortou o fio do telefone do zelador. Essa meticulosidade excessiva fez parecer que a Romina havia planejado aquilo, inclusive a sedução. As cordas foram a gota d’água.

Seria uma conveniência absurda a Romina, em uma noite, definir o que faria, reunir as cordas e efetuar com sucesso seu plano. Outro motivo para eu supor que ela pretendia fazer aquilo antes do ocorrido é ela ter atacado o grupo inteiro e o zelador, não apenas os estupradores.

A falta de motivo atrapalha a experiência, mas o pior é a execução. A Romina magicamente consegue pegar todos eles, embora não tenha uma arma. Alguns nem vemos o processo, mas o caso do motorista é o pior. Ela acerta a perna dele, ele fica se remoendo de dor no chão e não tenta reagir.

No final é revelado que o Diego era aliado da Romina e eles se beijam. Isso reduz a ruindade do filme, pois é a confirmação de que a Romina havia planejado o ataque com antecedência. O problema é que Romina não justifica a ação de ambos, o que deixa o filme meio sem pé nem cabeça.

Eu poderia descascar Romina por seu roteiro ruim, seu filtro de cor desagradável, sua falta de desenvolvimento e sua baixa qualidade de execução, mas não consigo detestar o filme porque gosto do plot twist. É uma boa ideia.

Quando o psiquiatra cita as vítimas, ele menciona o Diego. O Diego pode ter sumido por aí e terem considerado que ele morreu. Outra possibilidade seria uma alucinação da Romina, mas não houve qualquer indicação disso. Pode ser também um simples furo de roteiro.

No mais, eu acho que a Romina planejou ser estuprada para que a chacina tivesse motivo e rendesse uma pena mais branda para ela. O roteiro só não deu motivo temático para a chacina em si. O motivo prático nós sabemos: chocar o espectador com cenas de violência.

Romina é um filme ruim que poderia ser bom, caso sua equipe de produção fosse competente.

Observação: li por aí um comentário que considera que a Romina estuprou a Celia com uma garrafa de vidro. Eu não tinha reparado nisso, mas faz sentido. A Celia estava nua da cintura para baixo e a garrafa ao lado do corpo estava suja de sangue, assim como o corpo.

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