Crítica | O Grande Lutador (1980): dá pro gasto

Ficha técnica no IMDb

Um imigrante segue rumo aos EUA para ajudar e proteger o restaurante de seu avô. Quando gangsteres da cidade sequestram sua cunhada, ele é obrigado a entrar num torneio de luta para resgatá-la.

A abertura inclui o Jackie Chan fazendo peripécias, como uma demonstração genérica do ator. É bem tosco. Prefiro mil vezes aquelas cenas de carro na estrada.

A cena inicial é uma luta de baixa qualidade. O vencedor está nocauteando o adversário e o beija na boca, o que justifica seu apelido “kiss”. Excêntrico, não?

Na primeira cena do Jackie Chan, ele subiu na estrutura do que parecia ser uma ponte e fez uns exercícios, umas piruetas sem motivo. É bem tosco. É como se o filme quisesse demonstrar o potencial do protagonista, mas isso não é necessário, uma vez que o veríamos lutar em breve.

Quando o Jerry foi defender o pai, não havia motivo para atacar os mafiosos. Foi inconsequente. A primeira parte da luta é ridícula. Os atores são lentos, a coreografia é ruim e mal executada, o timing cômico é ruim e a ação de Chaves é mais bem feita.

Na segunda parte, o Jerry começou a pular, atacar de costas, usar o cenário e esse é o ótimo Jackie Chan clássico. O pior foi o pai do Jerry dizer para ele não lutar, como se ele devesse ficar parado apanhando. É evocada uma questão de promessa para a mãe, que me lembrou do primeiro filme de Bruce Lee, O Dragão Chinês, só que ela é esquecida em dez segundos.

Ignorando o desejo do pai, o Jerry foi ao encontro do tio artista marcial. O treino/dança nas manchas no chão foi engraçado. A demonstração seguinte com as esquivas foi legal, mas exagerada. Muita pirueta para desviar de bolinhas. Destaque para a lambreta seguida de chute do Jerry futebolista.

O treino é melhor que a cena de luta, mas ainda é artificial, especialmente pelos golpes mal coreografados. O tio foi bem mais impressionante nesta cena. Claro, ele é o mestre.

Sem grande justificativa, o filme enfiou uma corrida de patins, a qual é muito boba. São três equipes de três integrantes e eu só conheço o Jerry e a namorada dele. Eu não me importo com a corrida a ponto de torcer pelo protagonista e ela tem momentos bobos de briguinhas.

São uns agarra-agarra, tapas, mas tudo bobo e meio sem propósito, embora o mafioso tenha pedido às equipes para cuidarem do Jerry. O filme finge que esse é um grande momento, como a corrida final de Kart Nervoso, inclusive a deixando longa demais.

Depois de uma tensa cena do colega de patins sendo surrado, temos a brega cena do casal dançando e tirando a roupa. Montagens estranhas estão por toda a parte.

A segunda cena de luta começa ruim, mas fica boa quando o Jerry começa a usar objetos. Ela foi uma armadilha feita para o Jerry lutar e mostrar sua habilidade para os mafiosos. Aí entra o motivo para o conflito central da trama.

O Grande Lutador passa voando pela introdução da Mae, uma personagem que acompanha o Jerry e é sequestrada. Assim, a máfia chantageia o Jerry para que ele lute no torneio com o Kiss.

Podiam ter usado o pai ou a namorada dele, já que eu me importaria muito mais. Nesse rolo, a máfia coloca uma mulher para usurpar o lugar da Mae e fingir que é a noiva do irmão do Jerry. Para que esse novelão? Ele sequer é relevante para o resto do filme.

Na terceira cena de luta, a qualidade subiu. O corpo-a-corpo é razoável e a parte inusitada é boa. Nessa cena, o Jerry e o tio invadem a mansão mafiosa para ver se a Mae está bem, mas são pegos. Em um momento de piada, o Jerry assusta um sujeito que cai e o filme usa um grito genérico que já ouvi em memes.

O treino do Jerry é engraçadinho e o duelo com o tio de bengala é bem bonito, embora pegue um pouco pesado na teatralidade. Gosto de treinos, mas não senti que este era necessário.

A primeira fase do torneio é um todos contra todos. Tem momentos bobos, mas é executada com qualidade razoável.

Na primeira luta, o Kiss enfrenta um homem ridículo que fica dançando. Esta tem coreografia e timing cômico ruins.

Na segunda luta, o Jerry enfrenta um homem ridículo. As palhaçadas que ele faz são engraçadas porque gosto do Jackie, mas a falta de qualidade do outro ator atrapalha muito. A ideia de colocar o adversário tentando atropelar o Jerry também foi muito ruim.

A terceira luta é razoável, mas irrelevante, pois desconheço os combatentes.

Na semifinal, o jeito que enfatizam a força e a resistência do adversário do Jerry é legal. Há alguns momentos parados demais e outros de coreografia interessante. É boa o suficiente para uma das luta principais.

O tio do Jerry foi atraído por uma mulher e acabou numa armadilha. Foi até uma piada engraçadinha. Isso cria um bom dilema: se o Jerry perder, o tio fica bem, mas, se vencer, a Mae fica bem.

O tio estava amarrado a uma estrutura de madeira e, com as pernas, venceu três mafiosos. Forçaaado.

O dilema leva ao humor ruim com o Jerry se escondendo do Kiss na multidão. É como assistir a um desenho animado. Depois de saber que o tio estava bem, o Jerry surrou o Kiss e foi atraído para o teatro, para lidar com a máfia.

A luta final foi bacana, resgatando o sujeito que feriu o amigo dos patins, apesar dos minions que praticamente se deixam apanhar. O Jerry deixou o cara da navalha de boas e foi apunhalado por ele. Nem Goku seria tão burro.

A coreografia do embate derradeiro com o Kiss é boa, só que ele não parece muito habilidoso e se deixa apanhar em alguns momentos, principalmente no finalzinho. Conclusão: Jerry vence, dá um beijo na careca do Kiss e fica tudo certo com a máfia.

O Grande Lutador tem um enredo regular, ação de mediana para ruim e alguns momentos razoavelmente inspirados. As partes mais no estilo Jackie Chan são as melhores. No geral, este é um filme que só vale para quem gosta muito do gênero ou do Jackie.

Observação: este filme foi dirigido pelo mesmo diretor de Operação Dragão, o clássico de Bruce Lee.

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