Crítica | Navio Fantasma (2002): terror regular

Ficha técnica no IMDb

Sean Murphy é o capitão de um navio de resgate de salvados. Numa das suas viagens, junto à costa do Alasca, encontram um lendário transatlântico italiano desaparecido há décadas que parece ter estado à deriva. Mas eles não estão sozinhos.

A cena inicial do filme mostra pessoas alegres num navio. Esse trecho tranquilo é interrompido por um incidente assustador envolvendo um cabo. Estranhei que toda a tripulação, exceto a garotinha, tenha morrido, pois seria necessário que todos do imenso navio estivessem na dança. Apesar disso, aceitei a tragédia como estopim para uma maldição.

A segunda cena é radicalmente diferente: um grupo de rebocadores marítimos exercendo sua função. Ela, sozinha, daria a Navio Fantasma uma aura de filme de ação. Ambas as cenas são bem feitas, mas acho questionável serem postas em sequência, dadas as suas especificidades.

O grupo está relaxando, chega um sujeito e se dispõe a levá-los a um navio abandonado. O início de uma aventura não precisa ser complexo. Os personagens, sem contar o vilão, são simples. Não há nada individualmente relevante e é cabível dizer que Navio Fantasma não tem protagonista.

O que move e torna a trama relevante é o navio fantasma. Nós não ligamos para os personagens, ligamos para a história por trás da embarcação misteriosa. Isso o filme conduz bem.

Os marcadores da aventura consistem em alucinações e incidentes que sugerem que o navio não quer deixar o grupo ir embora. É assustador e interessante.

Sobre os fantasmas, é perceptível que fizeram contato com pessoas específicas. A garotinha só apareceu para a Epps, o capitão apareceu para o Murphy e a cantora apareceu para o Greer. Isso indica que há alguma ligação entre o fantasma e a pessoa.

A garotinha disse que a Epps lembrava sua mãe e o capitão escolheu outro capitão, mas a cantora não pareceu ter um motivo para escolher o Greer. Acho que ela era parte do feitiço do navio e os outros dois não.

Enquanto a cantora levou o Greer a cair no buraco (um buraco que sabiamente já fora mostrado), a garotinha alertou a Epps sobre o feitiço e o capitão explicou toda a situação ao Murphy. Essa dinâmica não foi muito bem explicada, mas eu gostei.

A cantora é parte das alucinações do navio contra o grupo. Assim como ela, as demais são bem feitas. A do zumbi justifica bem o desconhecimento do grupo acerca do feitiço do navio e a mais assustadora é a da comida. Não é um terror magistral, mas funciona.

O que faz Navio Fantasma não ser um filme inegavelmente esquecível é o plot twist, a existência de um causador dos problemas.

Quando veio o flashback do que aconteceu no resto do navio eu associei ao início de Batman — O Cavaleiro das Trevas: um conjunto de criminosos que se traem para ficar com todo o dinheiro. Ele me fez pensar que a maldição era algo inerente às barras de ouro que valem mais do que dinheiro.

Se a resposta fosse mais vaga, sem a presença do agente, o filme seria menos confuso e mais simples de entender. Quando a trama coloca um personagem como um ser imortal que precisa juntar almas através da embarcação, a linha de raciocínio fica estranha.

Não necessariamente incoerente, mas difícil de aceitar. Soa místico demais. Essa história fez meu entendimento acerca do ouro ficar suspeito. Afinal, o ouro tinha alguma ligação com a maldição ou o personagem o usou como forma de manipular as pessoas?

Se o ouro fosse especial, a cena final do filme não seria possível, já que ele estava no navio e o navio afundou, mas esse desfecho poderia não ser apenas um final chocante que não deveria existir. Se isso significasse que o personagem acompanha o ouro, a explosão do navio não o deteria e teríamos uma interessante reviravolta final.

Minha confusão se deveu em parte à perspectiva de que as caixas estavam sendo retiradas do navio, mas, numa segunda olhada, percebi que elas estavam embarcando. O vilão deve ter o ouro como ferramenta para seduzir as pessoas e precisa usar um navio para coletar almas.

Muitos veem o vilão como um agente maligno, mas é possível que ele seja subordinado a uma força natural, nem boa nem má.

A motivação do vilão de ir buscar o grupo principal para garantir que o navio não afundasse é bem interessante. É melhor do que a escolha ser mero acaso.

O pior momento do filme é quando dois personagens dão um susto em outros. É o tipo de jumpscare mais patético que existe.

Eu gostaria de ter entendido melhor, mas o terror do filme me deixou entretido.

A história verdadeira é razoavelmente interessante, a mitologia da trama é intrigante e o andar do filme é satisfatório. Navio Fantasma não é um baita filme, mas é bom o suficiente.

Observação: se tiver algo estranho no texto, coloca na conta do Mundial de Clubes. Comecei a escrever antes de Palmeiras x Chelsea e terminei depois. Haja coração, amigo.

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