Crítica | Batman (2022): nada esplêndido, pouco problemático

Ficha técnica no IMDb

Batman está em seu segundo ano de carreira e, durante uma de suas investigações, acaba se envolvendo em um jogo de gato e rato com um vilão que ama charadas e quer passar Gotham City à limpo.

Nas costumeiras comparações entre os Batmans que já estiveram nos cinemas, ocorre de alguém dizer que o Christian Bale só se consagrou por ter bons vilões. Como alguém que nunca teve vontade de assistir ao Batman Begins inteiro, concordo com esse pensamento.

O Batman é um personagem simples e funcional. Um vigilante milionário que combate o crime porque teve os pais assassinados quando era criança. Todas as facilidades tecnológicas são justificadas pela riqueza e os problemas práticos do combate ao crime não diferem muito do que todos os vigilantes (como a Viúva Negra) possuem.

Não é preciso muito para fazer um Batman eficiente e, ao mesmo tempo, um Batman espetacular é improvável, pois não há como tornar a batida história de origem interessante e há pouca margem para trabalhar a profundidade do personagem.

Digo isto porque Batman, acima de tudo, é um filme redondo. O que eu posso apontar como erro é tão semelhante a convenções do cinema que não desabonam o filme. Erros como a demora na apresentação do batmóvel, a luta em grupo com inimigos que se aproximam de forma conveniente e a reviravolta final após parecer que tudo havia dado certo em combate. Estas são características perdoáveis.

Batman está mais para um filme policial do que um filme de herói. Ele é longo, tenso e sua história consiste, resumidamente, na investigação que o Batman e o Gordon fazem das peripécias do Charada. O resultado é um enredo denso conduzido de modo satisfatório.

A Mulher Gato tem o drama particular dela vinculado ao caso do Charada e transita de forma orgânica pela trama, inclusive cultivando um relacionamento agradável com o Batman. Assim o Pinguim também participa da história, novamente de forma satisfatória.

Até a origem do Batman foi beneficiada com esse caso envolvente. O filme não precisa dizer com todas as letras que o Bruce virou vigilante por causa da morte dos pais, pois, durante a investigação, o Bruce acredita estar no rastro daquele que o tornou órfão. Há ainda uma esclarecedora ênfase no modo com que Bruce olha para uma criança que perdeu o pai (já devia estar pensando em chamá-lo para ser Robin).

Batman funciona como filme de origem sem gastar tempo demais nessa origem. Outros elementos que destacam a juventude do vigilante são a desconfiança que os policiais têm dele e o jeito que ele deixa de lado a figura de Bruce Wayne e valoriza apenas o Batman como legado.

Falando em Bruce Wayne, o Robert Pattinson faz um bom trabalho. Não é tão melancólico quanto eu esperava, mas ele transmite bem essa sensação de revolta e desolação. Queria ter visto mais Bruce no filme. Sobre a dublagem do Wendel Bezerra, achei meio zoado em alguns momentos, mas passei a maior parte do tempo sem me importar com isso.

Batman é a história de como o Bruce percebeu seu impacto negativo na sociedade. A motivação do Charada e seus minions tanto não era muito distante da imagem do Batman que eles o consideravam um aliado, uma inspiração.

Quando o Batman derrota os inimigos e pula na água para ajudar as pessoas, é o sinal de que ele entendeu que não pode ser a vingança. Ele precisa ser a esperança, do contrário, surgirão novos malucos psicóticos que distorcem o ideal morceguista.

Matt Reeves fez um arco esperançoso para o Batman e o Snyder fez um Superman desesperançoso. Ironias da vida.

Batman é o nascimento da mente definitiva do homem morcego. O que faltou para ele servir perfeitamente como filme de origem foi trocar o final desnecessariamente demorado e pouco relevante do Batman com a Mulher Gato pelo início do disfarce de playboy do Bruce.

Tive dificuldade para acompanhar o andamento do filme ao longo da investigação, mas me pareceu coerente e consistente. Era tudo um feijão com arroz bem feito, mas o plano final do Charada e a participação de seus minions é muito bom e impactante. Não achei que o roteiro teria coragem de inserir uma catástrofe como aquela.

O final com o Charada e provavelmente o futuro Coringa é outra das cenas que poderiam ser encurtadas.

Basicamente, tudo funciona em Batman. Só tenho um grande incômodo tecnológico: as lentes de contato gravadoras. São bem usadas pela narrativa, mas são de um exagero incompatível com a percepção de um Batman em início de carreira.

A ação do filme ficou devendo. As lutas são funcionais, mas não têm aquele nível magistral de Batman vs Superman. O pior é quando os adversários atacam em turno e não atingem a boca do Bruce. É tipo o BatAffleck, só que menos bem feito. É brutal e toma umas pancadas.

Me incomodou a quantidade de cenas de ação no escuro e senti que algumas foram filmadas daquele jeito entrecortado e vacilante que eu tanto detesto. Apesar de não chegar àquele nível de qualidade, Batman não entrega uma ação ruim.

Batman é um bom filme policial que usa satisfatoriamente o universo de Gotham City e parece ser o início da trajetória de um Batman brilhante (sim, eu precisava fazer uma piada com Crepúsculo).

Quando me contaram que o Robert Pattinson faria o Batman, eu fiquei revoltado por 15 segundos. Depois desse tempo, percebi que não fazia sentido criticar o ator se eu sequer conhecia o trabalho dele.

Se o Battinson tiver vilões do nível do Coringa e do Bane, ele vai ser facilmente superior ao BatBale. Com vários filmes ele deve superar o BatAffleck, mas acho difícil ser, em um filme, melhor do que o BatAffleck em Batman vs Superman.

Considerando que O Homem de Aço é um filme vazio e Mulher Maravilha é chato e mal encaixado no universo cinematográfico, Batman é um filme solo inicial muito bom.

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