Crítica | O Operário (2004): bom mistério, resolução meia boca

Ficha técnica no IMDb

Um trabalhador industrial que não dormiu em um ano começa a duvidar de sua própria sanidade.

O Operário é um filme que articula bem suas cenas e possui um enredo bem conduzido, mas não consegue propor um desfecho à altura de seu mistério. Não é ruim nem de todo previsível, mas o filme deixa tão claro certa perspectiva que quando a resposta completa surge nossa reação é: “ué, era só isso?”.

A começar pela parte técnica, o filme é meio cinza, meio sem vida, o que contribui para uma projeção de uma reviravolta mais acentuada do que foi. Isto somado à atuação do Christian Bale torna O Operário um filme pra baixo, triste. Neste sentido, a narrativa colabora muito com o tema.

Sempre 1h30. O sangue na geladeira. O Operário deixa claro que existe algo estranho e o Trevor sempre parece saber mais do que diz, muito em função de suas ações. Por exemplo, não foi mostrado que ele abriu a geladeira depois de ver o sangue e preferiu ser atropelado a dizer que o dono do carro com aquela placa havia invadido a casa dele. Trevor sempre esteve se sabotando para que a verdade ficasse mais e mais distante.

As ações estranhas do Trevor também indicavam que ele estava paranoico, mas O Operário optou por não utilizar este elemento para nada. Trevor não cometeu nenhum assassinato, pois o filme é sobre culpa e arrependimento. Tal escolha não é ruim, mas limita tanto o alcance da trama que O Operário é um filme esquecível.

Parte do problema se dá pela perspectiva de que o Ivan era uma alucinação. Como sabíamos disso basicamente desde o começo, a expectativa pela outra parte da resolução aumenta, mas não chega a ser tão impactante. Deveria ser muito mais surpreendente saber que o Ivan era ele, mas se já sabíamos que o Ivan não existia, saber que era ele não é lá muito diferente.

Outra questão chata em O Operário é que a resposta para o mistério, ainda que não deixe uma grande pergunta, não utiliza de forma satisfatória os elementos colocados em cena, como a forca e o sangue escorrendo da geladeira. Estendo esta crítica para a própria utilização do “universo” construído.

O fato de o Trevor ser um operário não influi no atropelamento do garoto. Como aquilo poderia acontecer com qualquer um, soa um tanto vazio o nome do filme e sua ambientação industrial. Resumidamente, parece que O Operário criou elementos que não colaboram para que seu final seja memorável. Não é exatamente um erro, mas é uma perda de oportunidade.

Gostaria de ressaltar que fiquei muito frustrado com a revelação, em especial quanto ao “1h30” e à geladeira sangrenta. Eu esperava muito mais. O problema não é ser previsível, é ser fraco. Eu previa um final envolvendo assassinato e tudo o que acontece no filme sendo fantasia, mas se O Operário entregasse isso não seria um defeito. Surpresa e previsibilidade, por si só, não representam qualidade.

Como um filme sobre culpa e arrependimento, O Operário encerra com o protagonista aceitando o que fez, se entregando e enfim podendo dormir. É bonito e poético, mas insatisfatório. O Operário não é ruim, mas é aquele tipo de filme que depois de uns dias você esquece que assistiu.

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