Crítica | O Senhor do Crime (2013): falta o borogodó

O império do crime tem sido bom para o chefão Alexander Coates e devastador para seus inimigos. Até que Roman Hurst, seu assassino número um e principal candidato à sucessão, estraga o que deveria ser mais um trabalho de rotina. Em represália, Hurst tem suas mãos quebradas e é forçado a se aposentar para sempre. Quando Iceman, um assassino cruel, surge e ameaça a liderança de Alexander, ele resolve procurar pela ajuda de Hurst uma última vez.

Senhor do Crime é um filme sobre a vida de grupos de criminosos. A escolha do roteiro por inserir tantos personagens faz com que o filme seja menos “do Steven Seagal” do que poderíamos imaginar.

Eu elogiei a divisão do protagonismo ocorrida no lendário Operação Dragão, mas Senhor do Crime acaba indo longe demais e perdendo o foco. É gente demais com tempo de tela de menos. O resultado é que, quando ações de impacto surgem, eu não me importo com elas.

Pior que isso, durante a maior parte do filme eu fiquei sem entender qual era o enredo dele. Muito personagem com motivação pela metade, falta de informação sobre o mundo e, principalmente, pouco tempo para assimilar tudo.

O “borogodó” que eu cito no título é o tempero especial que poderia tornar esta dinâmica de vários núcleos criminosos uma obra memorável: ser uma série, não um filme. Com vários episódios seria possível construir as noções de império necessárias para que a guerra fosse emocionalmente impactante, ou, ao menos, épica.

Senhor do Crime, no entanto, não é um filme que se salve ao deixar de lado a grande quantidade de núcleos narrativos. As cenas de ação são fracas, coreografias são pouco críveis (em especial as do Steven Seagal, as mais mal filmadas) e os personagens principais nunca estão em risco. A cena final de confronto não carrega nenhum risco para eles. Sem risco o suspense quebra e, sem suspense, não há filme “policial” que se sustente.

O início de Senhor do Crime eleva a expectativa. É construída a ideia de punição para quem falha e depois ela é aplicada a um personagem relevante, numa cena de tortura angustiante. A ideia de deixar o personagem com as mãos inutilizáveis e isso impactar em seu estilo de luta é bem legal, mas, infelizmente, não foi muito bem explorada.

A situação ainda foi revertida de uma maneira absolutamente surreal. As mãos foram curadas em algumas horas depois que foram (propositalmente) picadas por dois escorpiões super venenosos e os dedos foram quebrados, para que o veneno fosse mais fundo nos ossos. Essa é a essência do Deus ex machina: uma viagem absurda que soluciona o problema de forma mágica.

Eu vi algum valor no Hurst, imagino que o protagonista, especialmente por seu sofrimento, mas senti que a vida dele acabou não sendo elaborada o suficiente para que se tornasse um bom personagem. Ele está por ali, tendo mais foco que os demais, mas não chega a ter um claro arco de personagem.

Senhor do Crime parece ser uma série espremida em formato de filme. Tem algumas ideias legais, uma ambientação interessante e não chega a ser ruim, mas é aquele filme que você esquece no dia seguinte ao que assistiu.

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