Crítica | A Força em Alerta (1992): até que é legalzinho

Um navio da marinha recheado de mísseis, um supersoldado trabalhando como cozinheiro, uma stripper pronta para sair de um bolo de aniversário e uma insurreição de parte dos marinheiros. Esses são os ingredientes de A Força em Alerta, um filme do conhecido, embora não muito admirado, Steven Seagal.

O parágrafo anterior resume bem o filme. A Força em Alerta foge muito pouco dessas características, mas isso não significa que ele tenha uma história sem graça. Seu principal ponto positivo é o ritmo, o qual fica frenético depois de 20 minutos de filme.

Eu não sabia que haveria um motim no navio, então fui pego de surpresa. Está tudo feliz, alegre e tranquilo, quase no nível de um besteirol, mas eis que o golpe é dado e a ação começa. Essa virada de estilo torna A Força em Alerta um filme mais admirável, pois reflete o cuidado que o diretor teve ao elaborar o longa. Era até engraçado ver toda a tensão dos personagens em falar sobre a festa do capitão, como se ela fosse… peculiarmente importante.

Depois que a virada ocorre, são designados três núcleos principais: os vilões, o QG e o Casey.

O QG transcorre de forma eficiente e agradável, especialmente para mim, que gosto muito de tramas mais focadas em estratégia e planejamento militar. Eles têm um grande dilema pela frente: arriscar a vida de seus homens tentando retomar o controle de um navio bem armado ou aniquilar sumariamente os vilões, sendo que a tripulação ainda estava no navio, resolvendo o problema dos mísseis. Qualquer saída é difícil e, a cada nova tentativa, a esperança se esvai, dando força à ideia da destruição total.

Os vilões, com seu ímpeto revolucionário, passam bem perto de não funcionar, mas funcionam. Não me incomodaram, mas não me empolgaram em nada. Pareciam meros bonequinhos feitos para serem inimigos do protagonista. O plano deles de vender os mísseis é a pior parte, pois não me parecia existir a mais remota chance de eles saírem daquela situação com vida e liberdade.

E tem o Casey: o supersoldado, o homem com preparo, o invencível. Só isso mesmo. Não há nada de profundo nele e o único elemento que ele cultiva é a capacidade de derrotar inimigos. Se por um lado isso torna a narrativa do filme empolgante, por outro, torna a temática nula. É apenas um filme de ação, nada mais, nada menos. E a ação não é perfeita.

As cenas de tiroteio e de uso de explosivos são bem legais, mas o confronto corporal é mal coreografado e mal filmado. Vários golpes acontecem no escuro e o enquadramento atrapalha a compreensão. Mesmo quando parece que a coreografia acertou, vem a fotografia e dá closes nos golpes de faca, ao invés de abrir o plano. Junte isso com cortes estranhos de edição e temos clássicas lutas de má qualidade.

No núcleo do protagonista há também uma stripper, uma mulher contratada para surgir de dentro do bolo de aniversário do capitão. Ela acaba ao lado do Casey por acaso e meio que se torna os nossos olhos dentro da trama, trazendo uma perspectiva mais próxima da nossa realidade, já que o Casey age como um distante super-humano.

Apesar de sua existência funcionar em boa parte de A Força em Alerta, duas coisas me incomodaram na personagem. A primeira é sua aparição inicial para o Casey, surgindo de dentro do bolo. Foi uma cena de nudez absolutamente deslocada e vazia, sem conexão com o tom do filme e sem utilidade. A outra é o beijo completamente do nada que Casey dá nela no final. Não houve nenhum desenvolvimento amoroso, então aquela cena é só um capricho do roteirista. “Vá, Casey, pegue o seu troféu”, ele diria.

A Força em Alerta é um filme de ação razoável. Não é recomendável, mas não é tedioso.

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