Crítica | V/H/S — Viral (2014): surpreendentemente bom

Ficha técnica no IMDb

Segmento principal

O segmento inicial é uma confusa amostra do cotidiano de um casal e como de repente algo sobrenatural começou a acontecer. É tudo bem vago e há aquele toque de sexualização padrão do gênero. Estamos todos carecas de saber que a franquia V/H/S faz esse tipo de cena, mas V/H/S Viral tem quase nenhuma cena de nudez. Há ângulos discutíveis, mas tão pouco que nem impacta o veredito.

O mágico

Esse foi um cartão de visitas bem surpreendente. É meio documentário, a história de um mágico que tem uma capa que dá poderes a ele e se alimenta de mulheres. É praticamente uma aventura sombria.

A ideia e a execução são tão boas que talvez este conto esteja entre os três melhores que eu já vi em antologias. A história é legal, os efeitos visuais são bons, as batalhas são muito empolgantes e o desfecho é razoavelmente convincente. O que o conto fez de errado foi inserir um jumpscare no último segundo.

Uma falha do roteiro é que é estabelecido que o mágico foi preso porque as fitas provavam seu envolvimento nos crimes, mas o investigador diz que mágica não existe. Ué, como ele acha que a capa comeu pessoas?

A ação do conto é boa inclusive comparando com filmes de ação. Ela é um pouco confusa, mas nada além do que muitas outras obras fazem. O maior charme é a criatividade das sacadas mágicas. É como assistir a Doutor Estranho.

O primeiro conto é um deleite criativo.

Segmento principal

Correria psicodélica, câmera tremida, perseguição em que bicicletas são mais rápidas que carros de polícia e uma cena aflitiva envolvendo pés no asfalto. Não há nem sinal de explicação para o que está acontecendo e seria menos incômodo se o filme não usasse a câmera de mão.

Realidade paralela

Um homem inventa uma máquina que o conecta a um mundo parecido com o seu e faz um acordo com sua contraparte para um visitar o mundo do outro.

Realidades paralelas costumam render histórias interessantes. Assim como na saga do Oshikiri (Frankenstein, de Junji Ito), aqui impera o medo do desconhecido. Temos receio pelo que a contraparte fará e pelo que o outro mundo reserva ao protagonista.

Conforme nada acontecia, existiam duas tensões: o abuso na Terra 1 e a aparência ritualística na Terra 2. Quando finalmente algo aconteceu, foi uma aparência luminosa bizarra. Imaginei que fosse uma história simples de monstros, o que renderia ao conto uma bela nota 5.

Eis que o conto cria um conceito de órgãos genitais monstruosos e eu não sei se é desperdício de potencial ou só ridículo. A sacada final é bem pensada e aumentaria a perspectiva de qualidade da história, mas não tem como levar o conto à sério depois da piada de Quinta Série.

Fiquei esperando uma explicação para os gemidos constantes, mas ela não veio.

Fazendo uma análise mais fria, o conto usou muito pouco os detalhes suspeitos que criou. Deixar a ritualística, o quadro, a TV e a sacola sem utilidade derruba a qualidade do segmento.

Segmento principal

Pessoas que eu não conheço fazendo coisas que eu não ligo e o protagonista de bicicleta atrás da van que supostamente pegou a namorada dele. É um trecho bem estranho. Como todos caíram, suponho que o celular torne as pessoas agressivas, mas foi tão confuso que não tem como ser positivo.

Skatistas

Skatistas skatiando em um lugar com aparência ritualística. Essa aparência não é ignorada, mas não é muito frisada, o que me agradou. O conto é basicamente os skatistas lutando contra uma turma ritualística que volta como esqueleto depois de derrotada.

Essa falta de compromisso com contar uma história torna o segmento enfadonho. É como um simples projeto de faculdade audiovisual. Tem uma edição moderninha e os efeitos da ação são interessantes, mas é só isso.

A cena final com a câmera esclarecendo o que aconteceu é boa, mas eu esperava mais ênfase na concretização do ritual. O conto acabou e eu pensei: “era só isso?”.

Segmento principal

Não há nenhum detalhe novo sobre a perseguição, mas tem uma pequena história de exposição sem consentimento com um plot twist funcional. Ficou deslocada demais.

Segmento principal (ué, de novo?)

V/H/S Viral fez o mesmo esquema de transição dos contos, mas continuou contando a história-macro, algo que eu não entendi. Tem trilha sonora aparentemente muito deslocada e o protagonista chega à van misteriosa.

Pulando questionamentos sobre como ele está lá e a polícia não, achei a resolução do mistério meio fraca. Parece que a mulher está possuída por uma força que quer que os vídeos dos contos sejam postados na internet e causem mais caos do que já estão causando.

Se ligar aos contos é legal, mas ficou muito vazio. Por mais que os V/H/S anteriores não tenham boas histórias-macro, elas são mais bem vinculadas aos contos. Ter gerado expectativa ao longo do filme torna esse desfecho pior.

O conjunto da obra

Apesar das críticas que fiz ao segundo conto, V/H/S Viral dá um banho em V/H/S e V/H/S 2, tirando o conto de zumbis em primeira pessoa. Este e o conto do mágico são os melhores da franquia até o momento.

O filme escolhe usar as falhas visuais para representar uma filmagem amadora e abusa de ângulos e tremedeiras estranhas ou incômodas. Tirando essas características, se você busca uma antologia de terror, V/H/S Viral é um bom filme.

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