Crítica | Pelé – O Nascimento da Lenda (2016): Ficção, realidade e emoção

Busquei alguns filmes biográficos de figuras brasileiras e o primeiro foi “Pelé: O Nascimento de uma Lenda”. Como um fã de futebol, acreditei que iria gostar do filme, e de fato, gostei, apesar de ele errar como outros já erraram.

Um breve resumo: o filme conta desde a infância de Pelé, Copa de 50, até a final da Copa de 58, cobrindo seus desafios no emprego do futebol arte, que era considerado o responsável pela derrota em 50.

A obra é bonita, tem apelo dramático bem empregado, porém, peca pelas incongruências históricas. Além da mudança em personagens e lances, o filme carece de realismo no que tange o futebol, durante o tempo em que a bola rola. Com isso resta um bom roteiro, o que não é fácil de fazer no caso de uma biografia, evidentemente óbvia em seus acontecimentos.

Parece até que os cabeças por trás do filme acham que o bom futebol é sair dando embaixadinhas até chegar ao gol adversário. O elemento “levantar a bola” é empregado de modo tão exaustivo, que chega a atravessar o limite de descrença e virar um show de freestyle, não mais partidas de futebol.

A americanização acaba criando um grande problema, muito pior do que a ambientação clichê, que é o uso exagerado da palavra “ginga”, como se fosse algo realmente místico. A explicação dada envolve herança africana, e, sem entrar em detalhes, parece tão irreal quanto a imagem de que todo brasileiro faz malabarismo com a bola no pé. Um filme sobre um brasileiro, feito de gringos para gringos. Se um conterrâneo nosso assistir, vai ter a sensação de ver elementos de paródia, em alguns momentos.

“Pelé” não é ruim, mas só funciona se visto como uma ficção, em vez de uma representação fidedigna dos fatos. Para quem já assistiu “Gol: O Sonho Impossível”, as cenas de campo são bem inferiores às de “Pelé”, mas a trajetória percorrida pelo Santiago soa mais real, o que empata a capacidade de ambos em entreter.

Me emocionei com eventos que sabia que iriam ocorrer, algo que provavelmente só ocorre com aqueles que gostam de futebol. Gostei da direção de arte, passou um ar de alegria compatível com a sensação que o personagem sentia enquanto fazia seus malabarismos com a bola. O conjunto da obra me satisfez.

Filme regular, pela capacidade de entreter, mas necessita de um público muito específico, os que não conhecem muito bem a história do Pelé, mas que sabem um pouco sobre ele. Um especialista veria muitos erros e um ignorante sobre futebol não compraria a ideia do sucesso absoluto do protagonista.

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