Crítica | Doutor Estranho 2 (2022): importante, mas ruim

Ficha técnica no IMDb

Doutor Estranho encontra uma fugitiva interdimensional e decide pedir ajuda para a Feiticeira Escarlate.

Vingadores Ultimato foi a apoteose do Universo Cinematográfico Marvel. Sem dúvidas é um filme grandioso e um dos maiores de todos os tempos, mas, objetivamente, não é uma obra sequer próxima do nível de qualidade do Guerra Infinita.

Sem Volta Para Casa cumpre um papel espetacular para os fãs do Homem-Aranha. É um dos maiores crossovers da história e tem o papel importantíssimo de estabelecer uma nova fase do Peter do Tom Holland, mas tem problemas enquanto filme e furos de roteiro grosseiros.

Os inegáveis problemas estruturais e narrativos de ambos não impedem que sejam considerados incríveis pelo público e não apagam o papel deles no macroverso Marvel. Esse é mais ou menos o caso de Doutor Estranho 2.

O mais importante nele é vincular o universo Disney ao universo Fox. O resto é show de luzes e Injustice: Wanda Amoung Us. Comecemos pelo principal.

Disney + Fox

Depois da zoeira do século com o trailer do Longe de Casa, a Marvel Studios finalmente usou uma trama multiversal para introduzir o universo Fox. Um mutante teletransportador que não sabe controlar sua habilidade é uma boa justificativa para esse crossover.

O grupo de heróis do universo alternativo também contém variações daqueles que existem no universo regular. Gostei de ver o Reed Richards e o Xavier, mas a melhor coisa foi a Capitã Carter. Como fã do Capitão América, fiquei muito feliz com a referência à frase dele.

Por outro lado, apesar da relevância macroversal das aparições, detestei a pouca relevância do Xavier. O maior problema é o tom, algo que comentarei mais adiante.

O que me intriga é que Doutor Estranho 2 não misturou o universo regular aos demais, então ainda ocorrerá mais um evento multiversal antes de termos os X-Men e o Quarteto Fantástico contracenando com os Vingadores.

Show de luzes

O detalhe mais legal no Doutor Estranho é a beleza de seus poderes. O primeiro filme exagera na overdose visual e sua participação em Guerra Infinita é muito boa. Aqui, novamente, o show de luzes é agradável.

Toda a demonstração de poderes dos magos e da bruxa é empolgante e bela. Os cenários diferenciados e as modificações na realidade são um grande atrativo no filme. O visual, por si só, não torna o filme bom, mas contribui para que seja interessante.

Wanda Injustice ou Wanda Uchiha?

O filme se apoia um pouco no conhecimento prévio do que a Wanda fez em uma cidade (eventos relatados na série dela) e acredito que traz um controle da realidade que ela não possuía nos filmes anteriores. Isso complica a avaliação isolada de Doutor Estranho 2, mas ser isolada não é o propósito da obra.

A ideia é simples: uma pessoa extremamente forte decide fazer o que for preciso para alcançar a felicidade, mesmo que para isso necessite matar pessoas. Podemos associar ao que fazem os Uchihas em Naruto, mas é mais pertinente comparar com Injustice.

Doutor Estranho 2 é praticamente uma versão de Injustice no universo Marvel: um herói muito forte agindo como vilão e resultando em várias lutas entre heróis. Não é muito diferente do que foi Guerra Civil, outro filme de qualidade questionável.

A vilania da Wanda é bem justificada, mas mal finalizada. Além de não fazer sentido ela não dominar a inimiga imediatamente, o encontro dela com a verdade precisa de diálogos mais diretos. Ela precisava dizer claramente que havia virado um monstro e que estava arrependida. O resultado foi algo menos impactante e marcante do que poderia ser.

Acho muito estranho o roteiro não ter colocado a Wanda para se enfrentar. Seria mil vezes melhor. Do jeito que ficou, soou fácil demais. Um problema quase impossível de resolver precisou de poucos minutos e autoconfiança para ser resolvido.

Um dos graves erros de Doutor Estranho 2 é fazer a autoconfiança controlar o poder. É fácil demais e poderia ter acontecido a qualquer momento nas batalhas que a personagem travou em mais de 50 terras.

A saída com contornos de facilidade reduz o peso de uma trama que se apresentava com uma vilania mais invencível que a do Thanos.

Comédia boba vs carnificina

O tom é talvez o maior erro de Doutor Estranho 2. É inaceitável que um filme tenha trechos de carnificina e uma quantidade tão elevada de piadas bobas. São diálogos surreais que provavelmente só são engraçados no cinema. É como a terrível piada da senha do Wi-Fi em Doutor Estranho.

Essa indecisão entre o jeito Marvel e o jeito DC tira do espectador a visão necessária para aproveitar ao máximo as cenas. Se um filme é só comédia, eu aproveito mesmo as piadas bobas (como em Perdedores e Vencedores). Se um filme mistura a piada com o sério num nível exagerado, eu acho a piada ridícula e não sinto o peso que deveria nos trechos violentos.

No final eu pensei que o filme fosse apostar em uma consequência para a atitude do Estranho, mas a pós-créditos indica que o terceiro olho não é como o simbionte do Homem-Aranha. O roteiro cria uma tensão e em seguida a desfaz.

Erros consideráveis

O Estranho é tão heroico que fez uma pessoa ficar se batendo durante dias apenas por ter se sentido ultrajado.

É um spoiler forte, mas necessário. Uma pessoa se sacrificou para a Wanda perder acesso a uma informação e o mago supremo cedeu à chantagem da Wanda e a levou ao lugar onde ela obteria aquela informação. É o pior protetor que a Terra já teve.

A namoradinha do Estranho viu a carnificina e eles ficaram de papinho em vez de correr para fazer o que era preciso.

Há closes ridículos depois de um trio parar para ver se a Wanda passava por uma porta. Para piorar, ela surgiu como um jumpscare de filme de terror. Patético, ridículo e inaceitável.

Não se é um erro, mas não entendi a frase do outro Estranho sobre sonhar que está caindo.

O Estranho diz que um personagem é seu inimigo, sendo que não vimos essa vilania se concretizar. Há um salto narrativo considerável entre o primeiro e o segundo filme.

Como é possível o poder ser literalmente arrancado de uma pessoa e passado para a outra?

Acertos consideráveis

Doutor Estranho 2 faz um bom jogo de reviravoltas com a Wanda e o Estranho. É bem bolado, legal e leva ao único avanço que o protagonista tem nesse filme.

A solução do problema poderia ser egoísta, mas o Estranho escolheu confiar em outra pessoa. É bem significativo, considerando o que o filme revela e a escolha dele em Guerra Infinita, mas não chega aos pés do progresso do Peter em Sem Volta Para Casa.

O conjunto da obra

Como Doutor Estranho 2 reúne o humor ruim da Marvel, atmosfera Injustice e uma trama mais ou menos que parece mais servir para justificar situações do que contar uma boa história, o resultado é um filme meio qualquer coisa.

Ele é legal, é interessante, mas não é significativo e bem executado o suficiente para ser considerado um dos melhores filmes da Marvel. Ele pode ser muito badalado, mas não é melhor que as trilogias iniciais de X-Men e Homem-Aranha.

Observação: por que o outro não conseguiu mudar de dimensão se tinha o livro?

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