Crítica | Kick Ass (2010): violento, divertido e bem feito

Kick Ass é quase uma paródia de filmes de super herói, porém, ele conta com bons personagens e um bom roteiro, além de uma direção que não permitiu ao filme sair da linha.

A obra é um primor técnico só de se ver o tempo de tela dos personagens. É tudo centralizado no Dave, acompanhamos a mudança de seus sentimentos e o crescimento de sua coragem, mas mesmo assim, vemos o suficiente do Big Daddy e da Hit Girl para nos importarmos com eles, sem que se forçasse a barra. O uso do Red Mist também é incrível, você vê em diversas cenas a solidão dele e sua devoção pelo pai, coisas que justificam diversos acontecimentos, incluindo o desfecho do filme.

As cenas de ação são exageradas no caso da Dupla Dinâmica, mas, as, poucas, do Kick Ass tem um grau a mais de realismo.

O filme brinca com a reação natural das pessoas a essa ideia de super-herói, também mantendo a humanidade nos personagens, por exemplo, os diálogos do Dave relacionados à masturbação, sua apreensão e desejo de agarrar os seios da Kate e até mesmo ela tem um nível de humanidade: se interessa por Dave por conta de seu preconceito com gays e acaba gostando dele pela personalidade. Os personagens são o ponto alto do filme.

Vale ressaltar que apesar de ser um filme +18, não há cenas de nudez gratuita, o que valoriza o filme, deixando espaço para muito sangue. Por vezes a violência pode até parecer gratuita, mas serve de contraponto para a falta de ação no lado Kick Ass da história.

Toda a trama é boa, a amizade do Dave com o Chris, a virada do Chris em direcionar o amor que sente pelo pai em formato de ódio contra o Kick Ass, tudo é muito coerente.

O final traz um obstáculo natural para a Hit Girl. Como ela não tem super poderes, enfrentar alguém que sabe lutar complica a vida dela. Eu vibrei com a pequena briga do Red Mist com o Kick Ass, embora tenha parecido algo muito raso, e, após o final espalhafatoso da bazuca, a última cena deixa um gancho muito bom para o próximo filme.

Um dos maiores problemas que um herói pode ter, é um vilão que não é interessante, e o Chris tem tudo o que pode tornar um personagem carismático. É perfeitamente plausível que a morte de seu pai seja o gatilho para que ele se torne um vilão.

Satisfatório como entretenimento, eu daria uma nota 9, com desconto pelo exagero além da conta na cena em que a Hit Girl invade o escritório do Frank D’Amico e a falta de ação na luta do Kick Ass contra o Red Mist.

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