Crítica | V/H/S 94 (2021): por que ainda perco meu tempo?

Introdução

Um lugar cheio de TVs, uma mulher cheirando algo e uma mulher machucada em contagem regressiva. Só entendemos alguma coisa (não a cheirada) quando o que parecia ser o primeiro conto desembocou num lugar semelhante, onde pessoas estavam desacordadas diante de TVs. Não é das melhores introduções, mas não podemos esperar qualidade da franquia VHS.

Homem-rato

O formato de matéria de jornal é um jeito inusitado de contar uma história e a ideia me desagradou, mas fiquei mais irritado com o jeito que o conto deixou de ser uma transmissão e se tornou um found footage comum, no qual a gravação não possui motivos fortes para continuar acontecendo.

A guinada para a caminhada no esgoto não se justifica, pois o foco era o homem-rato, não a vida das pessoas que moram no esgoto. É o padrão de atitudes forçadas de personagens em histórias de horror. Vale ressaltar que o jumpscare me assustou, o que não torna o conto melhor.

Eu particularmente não vejo graça em histórias de seita e existem alguns agravantes. Nada no homem-rato indicava ser uma trama religiosa e o início do conto como parte de um jornal contradiz um desfecho trágico. O conto acaba sendo incoerente.

A aparência do vilão é boa, mas o aparente final que não finaliza é ruim. A falta de qualidade da gravação, claramente proposital em todo o filme, torna a experiência bem desagradável.

O que vem depois é como um epílogo. O jornal conta que a repórter foi resgatada do esgoto e ela aparece no estúdio. Dúvida: eles pegaram a câmera e não encontraram o cinegrafista? Do contrário, não conseguiriam fazer a matéria. É estranho.

Encerrar com a repórter usando o ácido do homem-rato é suficientemente surpreendente para não ser qualquer coisa, mas o todo do conto é ruim. Um final com o culto ao homem-rato seria muito mais assustador sem precisar ser violento.

Velório

A ambientação funerária à noite com uma pessoa sozinha preparando um velório é tediosa e desinteressante. Chega a ser engraçado o jeito que a mulher não abre o caixão, sendo que isso é muito mais produtivo do que ligar para alguém e dizer que o suposto falecido está vivo.

Depois de um tempo excessivo gasto com suspense, o conto investe num zumbi, acrescenta um evento climático que bagunça as coisas e termina sem concluir a trama. Não me ofende como outros contos, mas não tem nada de positivo. É o mais puro gostinho de tanto faz.

A ideia do terror é tão básica que o Programa Silvio Santos deve ter alguma pegadinha similar e mais bem feita.

Cientista maluco

Um cientista que registra em vídeo os avanços de suas pesquisas é uma ótima justificativa para o estilo found footage. O avanço para a câmera no olho foi inesperado e conservou a tensão. Aqui VHS acertou na experiência proporcionada.

Existem dois aspectos relevantes: a ação e o terror dramático. A ação é feito com boa qualidade de efeitos visuais, mas há exagero na quantidade de mutilações. Se o conto fosse uma história de ação voltada ao público que gosta de ver sangue, seria perfeito.

O terror dramático concentra-se na perspectiva de que a mulher estava sendo atacada apenas por ser diferente, algo muito triste e impactante. Por mais que a morte do policial encaixe nessa mesma ideia, o caminho até o desfecho é tão arrastado e pouco inovador que derruba a qualidade geral do conto.

A história do cientista maluco poderia ser ótima, mas seus problemas não apagam a excelente sacada da discriminação.

Homens e monstro

Homens armados fazendo coisas, atirando e é revelado que há um monstro no lugar e que eles sabem disso. Não seria exagero eu dizer que não entendi nada. Francamente, foi tudo tão chato que não tive vontade de rever para verificar se deixei passar algo.

História-macro

Não seria exagero eu dizer que não entendi nada. A sensação foi tão igual a que tive vendo o último conto que cheguei a achar engraçado. Os contos mostram monstros, mas as mulheres dão a entender que fazem as fitas como se fosse algo comercial. Como assim?

Aparentemente, todos os trechos da história-macro são chatos, irrelevantes, não contribuem para uma mitologia geral da obra e desaguam num final vazio. Eu pretendia colocar “gostinho de tanto faz” como título desta crítica, mas “tanto faz” é muito bom para este caso.

Além dos vários detalhes sem explicação, todos os contos são enrolados demais, o que aumenta a chatice de assisti-los.

VHS 94 é uma antologia ruim, mas a pior parte é a sensação de vazio, como se assistir ao filme fosse perda de tempo. Embora não haja aquela sexualização que me irritou nos outros filmes, sinto que este é o mais tedioso da franquia e o maior erro de um filme é ser acidentalmente tedioso.

Seria mais legal ver as histórias de terror do Programa do Ratinho ou do Domingo Legal. Não sei por que ainda insisto em levar antologias a sério.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s