Crítica | Creepshow 3 (2006): ideias interessantes

Introdução

Parece uma piada literal com cachorro-quente. Como de costume, a animação diferenciada é agradável. Só isso mesmo. Inclusive, o trecho foi surpreendentemente irrelevante. Normalmente as cenas iniciais de antologias estabelecem uma história macro, nem que seja algo bem simples.

Controle remoto

O começo é uma mistura de seriado americano apimentado e anime escolar. Se a saia da protagonista fosse mais longa seria apenas um seriado americano, como Dois Homens e Meio ou Big Bang.

Apesar do elemento mágico, a repetição dos diálogos fez o conto ser algo próximo de uma comédia ruim. A coisa só ficou interessante quando os efeitos colaterais corporais surgiram. Infelizmente, a comilança da protagonista desceu o nível outra vez.

Quando a história acabou, eu pensei: “que porcaria”. A sequência da família reagindo ao “monstro” é humor estilo Trapalhões, só que ruim. A reviravolta poderia ser interessante, mas o elemento mágico é sem pé nem cabeça. Foi uma oportunidade desperdiçada.

O pior é que eu esperava muito da premissa do controle remoto especial.

Rádio

Este é um conto bem interessante. Ele desenrola como uma jornada de amadurecimento a partir da relação do protagonista com o rádio, que age como se fosse uma segunda personalidade dele. É parecido com O Duplo: um é muito passivo e o outro é louco.

O andamento é legal e a história consegue cativar, até a reviravolta. O rádio era de fato outro indivíduo com poder de manipulação e age em outros lugares. Foi uma surpresa e um final satisfatório.

O segmento não tem muitas características para avaliar, ele é, resumidamente, uma experiência relevante.

Prostituta

A história poderia ter uma carga sexual muito pura e incomodar alguns espectadores, mas a trilha sonora melosa é muito bem revertida com a imagem das vítimas. É uma escolha curiosa: o conto reduz o peso do besteirol e reduz a surpresa da revelação. Não sei se gosto ou desgosto.

A aparência do vilão é surpreendente e a tensão da cena a torna mais eficiente. O mais legal da história é colocar um criminoso como adversário de outro, algo que Lembranças Macabras também fez.

É inferior ao anterior, mas mantém certa habilidade de condução que impede a trama de ficar chata.

Professor noivo

O tempo gasto com a repetição da cena do conto anterior é excessivo. As integrações mais curtas são bem melhores, como o coelho “Alice”.

Com a ênfase no experimento secreto e os rapazes citando Frankenstein, eu imaginei que a noiva fosse uma criatura como a da referida história. Fiquei surpreso com a revelação de uma humana comum ser a noiva.

A partir do momento em que cogitam a possibilidade de ela ser um robô, o diálogo com ela é bem engraçado. Mais pela atuação do que pelas palavras. A voz irritante gera um humor acidental. Mesmo os flashbacks das peripécias do professor são divertidos, mas eu cansei na parte sangrenta.

Por mais que fosse uma reviravolta surpreendente, o tom de comédia tira o peso e transforma num humor absurdo demais para eu gostar. Quanto mais o conto arrasta, pior fica. O defeito final e acachapante é que o experimento de 20 anos não foi mostrado. É péssimo.

Médico

Uma parte considerável do conto é o médico sendo um babaca. Eu acharia entediante se não associasse ao Dr. House, um personagem que eu gosto muito.

O encontro do professor com o mendigo que vendeu o rádio é muito bom. É uma conexão relevante, pois explica um pouco a natureza do rádio, uma vez que a história do controle remoto estabelece os itens mágicos do professor.

O encontro do médico com o vampiro é menos relevante, mas há um charme em ser o momento em que o vampiro descobriu o telefone da Rachel. Por outro lado, a aparição dos outros vampiros foi meio ridícula e fez a sequência da festa claramente enrolar demais.

Na segunda rodada de consultas eu parei de gostar do protagonista. A babaquice dele deixa de ser engraçada e vai para o nível do absurdo, do assédio. De forma adequada, o filme reconhece que a postura dele é reprovável. Gosto disso.

As aparições do fantasma não são boas e o desfecho resolve de maneira simples demais a questão, considerando a quantidade de elementos interessantes que o conto possui. Foi decepcionante, mas não ruim.

História-macro

Foi legal a noiva Frankenstein, embora conserve o problema da falta de explicação do experimento secreto. A aparição da Alice e sua família teve pouco valor. É um epílogo desnecessário, mas há algum charme.

Creepshow 3 é uma antologia razoavelmente interessante que executa suas histórias com razoável eficiência. Elas não são muito boas, mas não são completamente descartáveis. Vale a experiência.

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