Crítica | No Limite da Realidade (1983): bom visual e histórias interessantes

Introdução

Cinco minutos de dois homens em um carro fazendo irrelevâncias e um jogo de cantarolar altamente vergonhoso. O desfecho é um jumpscare horrível e tosco. É um péssimo cartão de visitas.

O racista

Um homem racista é colocado no lugar daqueles que despreza. Essa desventura é bem ambientada e caracterizada. Os uniformes, os cenários, as opções, é tudo bem legal e impactante.

O todo contribui para a noção de que o homem entendeu o que estava acontecendo, mas, infelizmente, o conto terminou sem finalizar. Histórias assim requerem um desfecho que inclua a mudança de mentalidade, como a Fera, de A Bela e a Fera.

A falta de amarração não torna o segmento ruim, mas o impede de ser completo. É legal e é bem feito, mas podia ser melhor.

Idosos

Este conto tem uma ideia muito interessante: reavivar a juventude dentro de cada hóspede de um lar de idosos. Toda a mensagem de diversão e o afastamento da rabugice é inspiradora e merece ser destacada. A melhor parte da história é essa ideia.

O problema é que não basta ideia boa para a experiência ser satisfatória. O desenrolar dos diálogos que parecem estar entre o nada e lugar nenhum é chato e parte considerável do segmento é entediante.

Existe um pico de interesse na sequência das crianças brincando. As roupas ficaram bem legais e achei curioso o garoto que é muito mais velho que os demais, a ponto de ser uma incoerência visual.

A pequena revelação sobre o propósito do mentor é bem bacana e torna o conto mais ou menos bom, embora seja chato. Não adianta ter bom significado se falha na execução.

Desejos

A primeira parte do conto é agradável e flui bem, apesar de não dar sinais de seu objetivo. É notório o jeito que tudo muda quando a protagonista chega à casa do garoto. Nitidamente há algo errado. A aparição dos pais me deu a impressão de ser um seriado antigo, como uma ilusão criada por um garoto que não tem família.

Tudo na casa contribui para a impressão irreal: as estruturas, as TVs em todo lugar e o acompanhar dos passos da protagonista. Infelizmente, essa ótima experiência psicológica é quebrada pelas cenas de atitudes bisbilhoteiras e ladras da família.

Meu incômodo inicial se inverteu com a lógica da manipulação e eu gostei muito da mitologia do conto, seu visual e até a dica final de que o garoto seguirá manipulando o mundo e tendo a protagonista como sua prisioneira.

Tirando as cenas dos monstros no final, que são arrastadas, e a repetição das frases no limbo, este conto é provavelmente a melhor experiência que eu já tive com um segmento de antologia. A ideia é ótima, a narrativa é ótima, o visual é ótimo e o conjunto da obra é muito competente.

Destaque positivo para as dicas de que aquelas pessoas não eram a família do garoto, apenas estavam sendo manipuladas para o serem.

Este conto chega perto de ser uma obra-prima. Só não é porque eu sempre desconto pontos de obras que tem cenas arrastadas. Fazendo o balanço para os anos 2000, posso relevar as cenas risíveis da garota no desenho animado, mas cenas enroladas não.

Avião

Este conto é uma experiência de terror clássica. Há um clima sombrio muito eficiente e o mais legal é a dúvida quanto à sanidade do protagonista. A junção dos dois aspectos deságua em uma revelação impactante.

Esse seria um arroz e feijão suficiente para encerrar bem No Limite da Realidade, mas o trunfo do conto é seu maior problema. As outras três histórias não tinham nada de terror clássico. Elas caprichavam no visual e numa ideia mágica interessante, coisa que este conto não faz.

Não é como no caso de Creepshow, onde a presença de estilos diferentes de história prejudica o filme. O todo segue sendo bom, só que o último conto seria mais bem aproveitado em uma antologia voltada a enredos de horror.

Conjunto da obra

No Limite da Realidade é uma antologia criativa que tem como principais qualidades o visual e os enredos interessantes. É uma experiência muito boa e recomendável, algo raro dentre as antologias de terror.

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