Crítica | Lendas do Além-Túmulo (1989): bons plot twists

Introdução

Um anfitrião que talvez fosse assustador em 1989 dá o pontapé inicial da antologia. Se não há história entre os contos, qual a necessidade de um anfitrião?

A obsessão do carrasco

A narração em primeira pessoa e a quebra da quarta parede são interessantes. Eu não gosto, mas foram colocadas de um jeito que encaixam bem na ideia da trama. Ouvindo as palavras do carrasco é possível assimilar a desumanidade dele. Ouso dizer que pode soar perturbador.

O estilo narrativo torna o conto enfadonho, mas a ideia é bem interessante: um homem era responsável por aplicar a pena de morte na cadeira elétrica, a pena de morte é abolida, ele é demitido e começa a caçar aqueles que julga terem sido injustamente inocentados.

O enredo me lembrou um pouco Death Note. A ironia do desfecho é bem pensada, mas seria muito melhor se o estilo narrativo fosse outro. No geral, é um bom conto. Vale informar que há um pouco de nudez parcial no contexto de boate.

Entre os contos

A piada com o choque é repetitiva demais e toda a sequência do anfitrião me parece perda de tempo. São momentos de vergonha-alheia.

A maldição do Natal

Mais uma boa ideia: uma mulher mata o marido e é atacada por um maníaco, só que não pode chamar a polícia por causa do crime que cometeu. Contos do Além (1972) adapta a mesma história com maior qualidade.

O maior problema é a dublagem horrível na hora dos gritos. Eu não me irritava tanto com gritaria em filme desde O Massacre da Serra Elétrica (1974). O ar amador se estende para o desenrolar da situação. Os embates corporais e a enrolação elevam a ruindade do conto.

A ênfase dada ao Papai Noel na janela reduz o impacto da cena final.

Estranhei o jeito que o filme focou na porta e na chave, sendo que ficar presa do lado de fora não foi um desafio enfrentado pela protagonista. A prisão aconteceu de um jeito ridículo naquele cômodo pequeno. É como ter um closet que só pode ser aberto por fora e ficar preso dentro dele. Não me parece plausível.

Esse conto vale pela ideia, se você ignorar os gritos horríveis, mas podia ser muito melhor.

Várias vidas

Este foi o motivo de eu assistir a Lendas do Além-Túmulo. A premissa de um homem que tem vidas extras é muitíssimo interessante e eu já sabia sobre a reviravolta. O spoiler não tirou a qualidade da experiência.

A estética do conto é meio tosca e cheia de humor. Tem uma pegada caricata e exagerada. É difícil explicar, mas posso exemplificar com Todo Mundo Odeia o Chris. Filmes comuns são como as cenas reais da trama e esse conto é como as cenas de fantasia (vale destacar que o referido seriado é excelente nesse humor absurdo).

O conto não é engraçado, mas é uma experiência muito diferenciada e carregada no humor absurdo. É bem inusitado durante a maior parte do tempo.

O desenrolar dos acontecimentos é compreensível e o jeito que a história é contada é inteligente. Ele reforça muito o plot twist e a torna dinâmica o suficiente para ser interessante. Com isso, acredito que o conto seja uma experiência válida até para quem não gosta desse tipo de humor.

Meu único porém é que teria sido mais crível o homem deixar passar que alguma morte foi dupla, como quase aconteceu na do enforcamento. Ele demorou muito pouco no caixão para se lembrar de algo que devia ter em mente desde o início das apresentações.

Esse detalhe não depõe contra o conto.

O conjunto da obra

Lendas do Além-Túmulo é uma antologia composta por três histórias com bons plot twists. As ideias dos contos rendem um todo interessante, mas a execução fica devendo principalmente nos dois primeiros. Por conta deles, Lendas do Além-Túmulo é regular, não bom.

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